Conheça a trajetória de Marcos Elias, gestor financeiro preso na Suíça suspeito de fraude nos EUA

“Um sujeito que adora engenharia e matemática, filosofia e história em quadrinhos”. Assim se define o gestor e analista do mercado financeiro Marcos Eduardo Elias, de 47 anos, preso, em junho, na Suíça e extraditado para os Estados Unidos em 28 de agostoonde responderá por fraude telefônica, fraude eletrônica, receptação de propriedade roubada e roubo de identidade agravada.

G1 conversou com uma pessoa da família que não quis comentar a prisão e aguarda resposta do advogado de Elias nos EUA.

Com extenso currículo na área financeira, Marcos Elias atua no mercado de ações há 25 anos – aos 22 ele já era analista financeiro. Ele está sendo acusado pela Corte americana de roubar US$ 750 mil (cerca de R$ 3 milhões) através de fraudes em bancos americanos usando falsas declarações e identidades roubadas de correntistas brasileiros.

Formado em engenharia mecatrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Elias é mestre em Direito pela Fundação Getúlio Vargas e MBA em administração de empresas pela University of Pittsburgh, da Pensilvânia. Por sua trajetória acadêmica e de mercado, era considerado um prodígio.

Elias se gabava por ter ingressado no mercado de trabalho aos 14 anos, como atendente em uma rede de fast food, de onde migrou para um restaurante para trabalhar como garçom.

Considera-se empreendedor desde os 16 anos, quando começou a dar aulas particulares “de matemática, física e química, porque gostava e era muito bom”. Logo depois, passou a dar aulas em cursinho pré-vestibular. Mas sua aventura na docência durou apenas até começar a apostar no mercado de ações.

Vaidoso, Elias se vangloriava por ter acumulado seu primeiro milhão de reais antes dos 30 anos com operações no mercado acionário. Com este perfil, aos 30 anos alcançou o cargo de analista-chefe do banco francês BNP no Brasil.

A projeção como analista do mercado financeiro levou Elias a se tornar gestor de fundos e empreendedor no mercado financeiro. Seu último emprego antes de decolar como empreendedor foi em 2001, no Banco Nacional de Paris.

Sua primeira empreitada foi a Gas Investimentos, criada em 2003. Também criou a Galleas Capital Partners, em 2004. Entre 2005 e 2006, foi sócio da também gestora de fundos Link Investimentos. Em 2009, foi um dos fundadores da Empiricus Research, de onde saiu em litígio em 2012.

No mesmo ano em que fundou a Empiricus, Marcos Elias usou a plataforma de vídeos YouTube para falar aos acionistas estrangeiros sobre o contexto político e econômico do Brasil às vésperas das eleições de 2010, quando Lula chegava ao fim do seu segundo mandado à frente do Executivo.

Em uma sequência de cinco vídeos, os únicos publicados em seu canal na plataforma, Elias fuma um cigarro atrás do outro enquanto discursa em inglês, muitas vezes em tom retórico, sobre o ambiente brasileiro pré-eleições.

Em seu perfil em uma rede social voltada ao mundo corporativo, Marcos Eduardo Elias também exibe, além de seu currículo na área financeira, uma placa em que é homenageado por “sua abnegação e altruísmo” ao colaborar de forma filantrópica com o Lar Vicentino de Penápolis, instituição ligada à Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) no interior paulista.

 Marcos Eduardo Elias foi detido na Suíça a partir de investigações feitas pelo FBI, a polícia federal dos EUA. Segundo as autoridades americanas, ele comandava um esquema de fraude sofisticado que envolvia uma empresa de fachada no Panamá, além de uma conta bancária em Luxemburgo.

“Fingindo ser funcionário do titular da conta, o suspeito supostamente roubou centenas de milhares de dólares que não lhe pertenciam. Ele agora foi trazido de volta aos Estados Unidos para enfrentar a justiça e devolver o dinheiro que roubou ”, disse em comunicado o diretor-assistente do FBI, a polícia federal americana, William F. Sweeney Jr.

Desde pelo menos 2012, uma empresa brasileira ligada a Elias mantinha uma conta em uma instituição financeira com sede em Manhattan. A partir de junho de 2014, o suspeito esteve em correspondência com um vice-presidente sênior do banco para falar sobre essa conta. Esse funcionário do banco então começou a receber e-mails supostamente de um funcionário da empresa correntista instruindo-o a transferir o dinheiro do banco americano para uma conta em Luxemburgo que parecia estar em nome do mesmo cliente.

Segundo a investigação, essas mensagens foram enviadas a partir de um endereço de e-mail criado no mesmo dia do envio e que continha instruções falsas com a assinatura falsificada do funcionário da empresa correntista.

Como resultado da documentação falsa fornecida ao banco, em 15 de julho de 2014, foram transferidos US$ 752.000 da conta americana para a conta de Luxemburgo. Na realidade, o verdadeiro cliente não autorizou a transferência fraudulenta, não tinha contas em Luxemburgo e não enviou os e-mails solicitando a operação.

A conta de Luxemburgo era propriedade de Marcos Elias e foi aberta em nome de uma empresa do Panamá criada na semana anterior à transferência. Segundo a Justiça americana, o mesmo suspeito tentou fraudulentamente obter dinheiro de uma segunda instituição financeira sediada em Manhattan, usando o nome e o passaporte de um correntista, também sem autorização.

Fonte: G1

Imagem: Reprodução/Internet

WhatsApp chat
%d blogueiros gostam disto: